4 de mai. de 2012

Amor à lei e ódio à humanidade.



Em janeiro deste ano (2012), a polícia desocupou a comunidade de Pinheirinho em São José dos Campos (SP), desabrigando uma quantia estimada entre 6 e 9 mil moradores, para reintegrar a posse do território ao empresário Naji Nahas. Legalmente a ação é questionada. Fora dos tramites da legislação, não contesto se foi justa ou não, foi um atentando à humanidade em favor de interesses de um sujeito que não quer perder ou diminuir o seu poder econômico. Não confunda lei com justiça, para haver justiça é preciso garantir o interesse dos indivíduos, levando em conta o bem estar destes, exceto em casos de escassez. Na falta de algo como comida, por exemplo, não há como considerar injusto ou justo o fato de tirar a comida do outro para que você possa comer. Colocar a sua própria vida em jogo para garantir a continuação de outra, pode ser um ato heroico, bravo, honrado, mas não justo. A sua vida não vale menos ou mais do que a outra, para que abrir mão dela seja considerado um ato justo. Entendo que injustiça existe quando, em prol de algo menos importante, você abre mão de outro que é mais importante, porque não te diz respeito.

Já para haver lei é preciso que haja uma instituição, não que exista justiça. Uma instituição não necesseriamente tende a garantir os interesses e bem estar dos seus associados. Isto é o que esperamos dela pois, porque alguém se associaria a algo que não lhe é interessante, chegando até mesmo a lhe ser prejudicial? Porque nem sempre as pessoas sabem dos riscos que tal instituição lhe traz, porque sua limitação de informação e educação, não lhe permite observar isto. Limitação que as próprias instituições, por terem mais poder que os indivíduos _este poder provém do agrupamento dos indivíduos que, ao legitimarem esta instituição, confere a ela sua força individual; juntado todas as forças, o indivíduo se torna fraco frente a ela_ ajudam a manter. Alguns só percebem o quão tal instituição lhe é maligna, quando ela lhe suga a ponto de tirar direitos considerados básicos para uma vida digna. Outro fator que garante a associação dos indivíduoas a tais instituições é que, se não se associarem a alguma delas (como o estado por exemplo) ele é marginalizado e perseguido, justamente por ser um marginal. Pois os indivíduos associados o veêm como inimigo. Acredito que isto acontece por dois motivos ou, pelos menos dois principais, o medo e a ignorância. Os idivíduos associados a um estado têm medo do que um sujeito que não é associado a ele por, justamente desconhecerem, o que ele pode lhe fazer. Alguma paranóia que não sei se é natural do ser humano, ou condicionada por informações transmitidas por aqueles que mais se interessam pela manutenção do estado, criam um medo onde os indivíduos esperam o pior daquilo que desconhecem.


Vocês podem me questionar dizendo que para haver justiça é preciso que haja lei. Bom, não sei a resposta. Mas o simples fato de haver lei, não garante o exercício da justiça. E percebo, a partir da época em que vivo e do meu restrito conhecimento de mundo em relação a ela, que justiça é algo que passa longe dos estado e da maioria das instituições, pelo menos das mais poderosas.

Mas voltando ao caso Pinheirinho: este vídeo é mais um registro _forjado ou não. Prefiro crêr que não, dando meu voto de confiança a quem o publicou e principalmente ao garotinho, que diz que um policial matou o cachorro dele. Por quê um ser humano que está cumprindo ordens, expulsando outros seres humanos de suas habitações, precisa criar um desfecho desse para sua missão? Só vejo um motivo: ódio. Mas por quê este ódio todo às pessoas ? _Acredito que tal ato seria desencadeado por ódio às pessoas que estavam alí ilegalmente e não, necessariamente a um cão, que está ali apenas acompanhando seu dono, sem conhecimento de posse, cerca, estado, polícia ou Naji Nahas_ Seria um amor a lei?! Se sim, a lei é maior do que as pessoas, e volto no que disse sobre a lei e justiça. A lei não é a justiça e, se as pessoas desejam as leis em nome da justiça, não deve se ater cegamente a ela. Mas se as pessoas desejam as leis em nome dos privilégios que ela lhe garante, a estas não tenho o que falar, só posso desejar-lhes que mudem de postura, não sei como (alguns acreditam que pela educação. Mas creio que chega um ponto que não é questão de ter ou não sabedoria acerca do que é maléfico para os outros, mas de vontade de fazer o bem pra si, mesmo que isto seja o mal pra o outro. Talvez a educação seja o melhor ou único meio para a formação de pessoas gentís, mas penso que isto é algo que ocorre mais na infância, não numa fase adulta), ou a morte.

Bom, esta foi a minha interpretação, mas podemos pensar que o policial não agiu por ódio, mas em defesa própria ou de alguém, o que não acho muito plausível, mesmo que o cachorro que o menino menciona não tenha sido morto na desabrigação de Pinheirinho. Por quê um policial mataria um cachorro? Um cachorro é tão ameaçador assim? A polícia não possui armas não letais para conter/ combater humanos? Elas não serviriam também para conter o animal? Será que o policial estava sacrificando o animal, porque ele tinha alguma doença mortal e/ou perigosoa e era a melhor solucção? Não sei, acho que os governos, no Brasil pelo menos, não destinam estas funções aos policias. Além do quê, minha bagagem de vida, o que já ouvi de histórias sobre a policial ou mesmo vi, não me leva a crer em hipóteses como esta.


Rafael Barros